Centro de Acolhimento de Refugiados abre em Évora promovido pelo JRS - Serviço Jesuíta aos Refugiados

No passado dia 22 de Maio, em pleno coração da Cidade de Évora, Património da Humanidade, abriu as portas o Centro de Transição de Refugiados (CTR), projecto do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS) Portugal, que pretende servir a PAR – Plataforma de Apoio aos Refugiados
O Director-geral do JRS Portugal, André Costa Jorge, abriu as portas do Centro ao Arcebispo de Évora, que ficou a conhecer o espaço e a equipa que garantirá o funcionamento do Centro em Évora.
Em declarações exclusivas ao semanário “a defesa”, André Costa Jorge, explicou que o Centro de Évora será uma estrutura de acolhimento intermédia, ou seja, “uma estrutura de transição” entre a Instituição de Acolhimento final e chegada dos refugiados a Portugal.
“Portanto, este Centro de Évora é o primeiro Centro de Transição do JRS que serve a PAR, com capacidade para 30 pessoas. É uma estrutura de tipo hoteleira que estava disponível para estes fins”, desenvolveu.
“Deste modo, os refugiados, cujo perfil já foi acordado entre nós, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e o Alto Comissariados para os Refugiados, chegam ao aeroporto e vêm para este Centro de Transição em Évora. Aqui, durante um período que pode ir até 3 meses, é feito um conjunto de passos de diagnóstico e de primeiras etapas de aprendizagem da cultura e da língua e do perfil das pessoas. Ou seja, as pessoas têm oportunidade de fazer uma primeira imersão na sociedade de acolhimento. Ao mesmo tempo, este período permite-nos ter um perfil mais exacto das pessoas”, explicou.
“Depois deste período em Évora, onde será possível fazer o acolhimento e o diagnóstico, podemos fazer o encaminhamento para uma Instituição de Acolhimento, onde poderão permanecer até 18 meses. Por fim, farão a terceira etapa que será o processo de automização”, adiantou, exempleficando que “em Évora já esteve um casal, com um filho, que depois de um mês nesta cidade, foi acolhido no Porto, devido ao seu perfil e intenção de fazer estudos universitários.
“Escolhemos Évora porque nos parece ser o tipo de cidade que tem as condições ideais para o acolhimento. Tem um ritmo de vida calmo e com a dimensão certa. Além de ser uma Igreja activa e com vontade de colaborar”, adiantou o Director-geral do JRS Portugal.
Os refugiados que já estão a chegar a Évora são oriundos dos campos de refugiados do Egipto e da Turquia.
André Costa Jorge, que desde Outubro de 2018 coordenada também a PAR – Plataforma de Apoio aos Refugiados, revelou que nos últimos três anos, a PAR acolheu “144 famílias em 92 instituições”, o que representa perto de 700 pessoas, entre as quais quase 400 crianças.
Equipa multifacetada garantirá funcionamento do Centro de Acolhimento de Refugiados de Évora
Para o CTR de Évora funcionar existe uma equipa composta por técnicos da JRS Portugal, e por técnicos que foram recrutados em Évora.
André Costa Jorge explicou que a equipa é composta por um quadro técnico que conta com dois professores de português, uma psicóloga, uma coordenação técnica, um técnico social e uma coordenação administrativa e logística, para além de “termos aqui uma componente de vigilância para garantir a segurança durante 24 anos, e também para que haja um acompanhamento de proximidade e em permanência destas pessoas”.
“Vamos precisar de voluntários em Évora”
Além deste quadro técnico, o Director-geral do JRS Portugal sublinhou a “necessidade de voluntários”. “Por isso, estamos sempre a precisar e vamos precisar de voluntários, isto é, dos leigos da Igreja, de pessoas interessadas e que gostam de praticar o bem, independentemente do seu perfil religioso”, apelou.
“Portanto, esta Casa em Évora está aberta ao voluntariado, quer aos jovens, quer aos seniores, ou seja, de todas as pessoas que queiram conhecer esta realidade”, sublinhou.
André Costa Jorge reconhece que é normal que perante o desconhecido, e pela influência de algumas informações tendenciosas, “possam existir medos ao acolher o outro”. “Mas esses medos e preconceitos que possam existir esbatem-se muito no contacto pessoal. Quando conhecem o outro, quando dialogam, percebem que do outro lado estão pessoas como nós e também eles com algumas ideias feitas sobre a Europa. Por isso, ajuda muito a uns e a outros este encontro. O chamado encontro de hospitalidade”, afiançou.
“Eu acredito que é possível combater a hostilidade simbólica, imaginária que a Europa acaba por criar em torno da temática dos refugiados com a hospitalidade”, sublinhou André Costa Jorge, apelando que “os leigos e todas as pessoas de boa vontade se juntem a nós e façam esta experiência do encontro. Não prometemos mais nada se não esta experiência do encontro que pode ser, para muitos, reveladora e de descoberta do outro e também de si próprio”.
A Arquidiocese de Évora “acolhe de braços abertos” o projecto do JRS
O Arcebispo de Évora, D. Francisco José Senra Coelho, à reportagem de “a defesa” afirmou que “a Arquidiocese de Évora saúda de braços abertos e coração fraterno esta decisão de implantar na nossa cidade e capital da Arquidiocese um Serviço de Apoio aos Refugiados dos Jesuítas”.
“Somos convocados a saber acolher, a ter uma dimensão de hospitalidade e somos convocados também ao voluntariado”, acrescentou o Prelado.
“Que se sintam bem na nossa cidade e na nossa Arquidiocese”, desejou D. Francisco Senra Coelho, que acrescentou que “temos toda a alegria de dar seguimento aos desafios do Papa Francisco porque, de facto, as chagas de Cristo crucificado do nosso tempo, é esta realidade tão dolorosa daqueles que fogem à morte, daqueles que tentam escapar para sobreviver. E quando são famílias fazem-nos encontrar com a Família de Nazaré”.
“Gostaria de manifestar o coração aberto de pastor nesta comunhão, solicitude e compromisso com este Serviço Jesuíta aos Refugiados e com este Centro de Acolhimento Temporário em Évora”, afiançou o Prelado.
“Gostava de dizer a toda a Comunidade e sociedade eborense, que este Centro é um sinal que marca a nossa evolução civilizacional porque, não há dúvida, que a abertura às culturas diferentes, às outras religões é um sinal de maturidade na tolerância e no respeito. E, muito mais, quando fazemos a defesa da vida humana, da família e da criança”, disse o Arcebispo de Évora.
D. Francisco Senra Coelho sublinhou ainda o facto do dia da abertura do CATR de Évora coincidir com dia em que a Catedral de Évora celebrava 711 anos (22 de Maio). “A Catedral é o símbolo da casa do acolhimento e da casa de todos”, referiu.
“Que este serviço seja bem vindo e que nós todos o saibamos merecer como sinal profético da Igreja, estando à altura dos desafios que nos serão colocados”, concluiu o Arcebispo de Évora.

Comentários

  1. Uma iniciativa de importância incalculável para os refugiados. Bem haja|

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